Ninguém quer saber da privacidade ou da proteção de dados!

Ninguém quer saber da privacidade ou da proteção de dados!

Medidas de Privacidade e Proteção de Dados

“As pessoas querem instalar as apps nos smartphones e aceder aos sites do seu interesse, ignorando a leitura das respetivas políticas de privacidade e mostrando-se pouco interessadas em garantir a reserva da sua vida privada. Como queres sensibilizar os indivíduos para a privacidade e convencer as empresas a implementar o RGPD?” – Perguntava-me uma amiga, para a minha estupefação.

Como?!?-respondi eu, ora, para evitar que aconteçam situações graves tais como os gestores estarem a ser filmados, sem saberem, após o acesso não autorizado às câmaras dos seus telemóveis e PC´s, ou pacientes cardíacos pagarem a hackers para que os seus pacemakers funcionem corretamente ou então seguranças acederem a fichas clínicas dos pacientes (diagnóstico de doenças, exames médicos, receituário) de um hospital.

A minha amiga exibiu um sorriso e afirmou que tais situações já teriam ocorrido e que nada havia mudado nos hábitos das pessoas e das empresas. Replicou que situações piores, com impacto na vida de um alargado número de destinatários, suscitaram muito pouco interesse e/ou inquietação no cidadão comum, tais como o roubo de dados bancários na British Airways, dos hábitos de consumo na Zomato, dos dados de geolocalização na Uber ou dos dados alimentares e de saúde na MyFitnessPal.

Concluiu dizendo sentir-se despreocupada no ciberespaço por saber existirem atualmente fortes investimentos na segurança de dados por parte das empresas – conscientes dos custos extremamente elevados, tangíveis e intangíveis, das violações de dados (existe uma métrica do Instituto Ponemon , que fixa um custo de sensivelmente 130,00€, para cada registo, como a perda de negócio, impacto negativo na reputação da marca e o tempo gasto pelos colaboradores no esforço de recuperação dos dados).

Desarmei-a como com o facto de todo este esforço não resolver o problema das empresas, dado que é mais provável existir uma violação de dados nos registos numa empresa (27,9%) do que uma pessoa apanhar uma gripe no inverno (5% a 20%, segundo a WebMD) e que cidadão comum está constantemente sujeito a vários tipos de ciberataques (a ilustração nomeia alguns dos ataques) cuja existência muitas vezes desconhece.

Aproveitei para declarar que só uma implementação dos princípios do RGPD nas empresas e uma profunda consciencialização dos cidadãos poderá garantir o direito de privacidade de cada um. Não é suficiente, as empresas, realizarem grande investimentos em software e sistemas de segurança, porque são necessários os contributos pessoais de cada um para assegurar a proteção de dados.

Torna-se evidente, a necessidade constante de chamar à atenção dos cidadãos para os perigos a que estão sujeitos no ambiente digital. Neste sentido, é fundamental informar, sensibilizar, consciencializar e promover uma cultura de proteção de dados que capacite os indivíduos para a utilização correta dos seus dados pessoais.

A privacidade e a proteção de dados, tal como a liberdade ou a democracia, são consideradas como adquiridas, mas (temo) que só lhes vai ser dada a devida importância, quando formos, irremediavelmente, privados delas. 

 

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